O primeiro concurso público da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para servidores efetivos foi autorizado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), com 50 vagas para o cargo de Especialista em Regulação de Proteção de Dados. A remuneração inicial é de R$ 17.726,42, podendo chegar a R$ 29.119,71 no topo da carreira.
A autorização consta na Portaria MGI nº 5.092/2026, publicada em 24 de junho de 2026. A ANPD terá até seis meses para publicar o edital, ou seja, até dezembro de 2026. As provas deverão ocorrer no mínimo dois meses após a divulgação do edital, o que projeta a aplicação para fevereiro de 2027.
Confira abaixo os detalhes sobre a distribuição das vagas por cotas, a remuneração da carreira e como deve funcionar a seleção.

Transformação da ANPD em agência reguladora federal
A criação da carreira de Especialista em Regulação de Proteção de Dados ocorreu após a sanção da Lei nº 15.352/2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A norma transformou a antiga Autoridade Nacional de Proteção de Dados em agência reguladora federal, conferindo maior autonomia administrativa, técnica e financeira ao órgão.
A legislação também criou 200 cargos efetivos para a nova carreira, todos destinados ao provimento exclusivamente por meio de concurso público. Ao todo, 797 cargos vagos de agente administrativo foram transformados em 200 cargos de Especialista.
A ANPD integra agora o rol das agências reguladoras vinculadas ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Sua principal missão é zelar pela aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), legislação que regula o tratamento de informações pessoais por empresas e órgãos públicos em todo o território nacional.
Quantitativo e distribuição das vagas por cotas
Das 50 vagas autorizadas para este primeiro concurso, a distribuição segue os critérios de cotas previstos na legislação federal de ações afirmativas:
- Ampla concorrência: 31 vagas
- Pessoas negras (pretos e pardos): 13 vagas
- Pessoas com deficiência (PcD): 3 vagas
- Indígenas: 2 vagas
- Quilombolas: 1 vaga
Embora o número inicial seja inferior às 200 vagas solicitadas pela agência em maio de 2026, a ANPD poderá ampliar as convocações ao longo da validade do concurso, conforme a disponibilidade orçamentária e a necessidade de pessoal.
Remuneração e benefícios do cargo de Especialista
O cargo de Especialista em Regulação de Proteção de Dados exige formação de nível superior. A carreira possui remuneração inicial de R$ 17.726,42, com possibilidade de progressão até R$ 29.119,71 no final da carreira.
Além dos vencimentos, os servidores fazem jus a auxílio-alimentação de R$ 1.192,00 e demais benefícios previstos na legislação federal. O regime de trabalho é estatutário, o que garante estabilidade após o cumprimento do estágio probatório.
A lotação dos aprovados será na sede da agência, localizada em Brasília (DF). Há uma regra rigorosa para os novos servidores: durante o primeiro ano do estágio probatório, a atuação deve ser 100% presencial.
Principais atribuições do Especialista da ANPD
Os futuros servidores terão funções de alta complexidade, com atuação direta na regulamentação, fiscalização e implementação das normas de proteção de dados pessoais. Entre as principais atribuições estão:
- Regulação, inspeção, fiscalização e controle das atividades relacionadas à proteção de dados pessoais
- Formulação e implementação de políticas públicas voltadas ao setor
- Elaboração de estudos, pesquisas e análises técnicas na área de proteção de dados
- Zelar pela aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no país
- Proteger crianças e adolescentes no ambiente digital, conforme legislação específica
- Garantir a proteção da mulher nas redes e regulamentar a atuação das empresas de tecnologia
A ampliação do quadro está relacionada não apenas à aplicação da LGPD, mas também ao crescimento das responsabilidades da agência, que passou a atuar em novas frentes como a regulamentação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) e normas ligadas ao Marco Civil da Internet.
Prazo para publicação do edital e data das provas
Conforme estabelecido na Portaria MGI nº 5.092/2026, a ANPD terá até seis meses, contados a partir da publicação do documento, para divulgar o edital de abertura do concurso. Como a autorização foi publicada em 24 de junho de 2026, o prazo máximo para lançamento do edital termina em dezembro de 2026.
A portaria também estabelece que deve haver um intervalo mínimo de dois meses entre a publicação do edital e a realização da primeira prova do concurso. Assim, caso o edital seja divulgado até dezembro de 2026, as avaliações só poderão ocorrer a partir de fevereiro de 2027.
Caso o edital não seja publicado dentro do período determinado, a autorização perderá a validade e o atesto de disponibilidade orçamentária será cancelado. O preenchimento dos cargos também depende da homologação dos resultados finais e da existência de recursos orçamentários para efetivar as nomeações.
Banca organizadora e próximos passos
Ainda não há banca organizadora definida para o concurso. A ANPD deverá avançar nos atos preparatórios, que incluem a formação da comissão organizadora e a contratação da banca responsável pela elaboração e execução das fases da seleção.
A comissão organizadora já está em formação e a autarquia avança nos trâmites internos licitatórios para a contratação da banca examinadora. O cronograma estimado pela agência previa a definição da banca em setembro de 2026.
A responsabilidade pela organização do concurso, incluindo a contratação da banca organizadora, cabe à própria ANPD. A escolha da instituição que aplicará as provas é uma das próximas etapas aguardadas pelos candidatos.
Áreas de formação aceitas para o cargo
O concurso deverá contemplar profissionais de diferentes especialidades e áreas do conhecimento. Conforme informações da agência, as principais formações aceitas incluem:
- Direito
- Tecnologia da Informação
- Economia
- Ciência de Dados
- Psicologia
- Relações Internacionais
- Formação geral em nível superior
A diversidade de perfis está relacionada à natureza multidisciplinar das atribuições da ANPD, que combina aspectos jurídicos, técnicos e regulatórios em suas atividades finalísticas.
Possíveis etapas do concurso e conteúdo programático
Como este será o primeiro concurso efetivo da carreira, não há uma série histórica de editais anteriores que permita definir com precisão as etapas. No entanto, considerando o perfil das agências reguladoras federais e o processo seletivo temporário realizado anteriormente, os candidatos podem esperar:
- Prova objetiva: de caráter eliminatório e classificatório
- Avaliação de títulos: de caráter classificatório
- Curso de formação: etapa obrigatória com caráter eliminatório e classificatório
No último processo seletivo temporário da ANPD, a prova objetiva teve 50 questões de múltipla escolha, abrangendo Língua Portuguesa e Redação Oficial, Legislação Administrativa, Raciocínio Lógico e Conhecimentos Específicos. A avaliação de títulos permitiu somar até 12 pontos ao resultado final.
Quanto ao conteúdo programático, considerando as atribuições da agência, os candidatos podem esperar disciplinas relacionadas a LGPD, Direito Administrativo, Administração Pública, regulação, fiscalização, políticas digitais e interpretação de texto.
Critérios de aprovação e classificação
Com base no processo seletivo anterior, foram considerados aprovados os candidatos que obtiveram o desempenho mínimo exigido nas provas objetivas e que se classificaram dentro do número de vagas previsto no edital.












