Com a aproximação das eleições de 2026, quando as pessoas escolherão presidente, governadores, senadores e deputados, uma dúvida comum vem à mente dos concurseiros: afinal, ano eleitoral impede a realização de concursos públicos?
A resposta pode surpreender muita gente. A legislação traz regras específicas sobre o que pode e o que não pode acontecer nesse período — e há uma restrição importante que todo candidato precisa conhecer antes de planejar seus próximos passos. Confira abaixo o que a lei diz e como isso funciona na prática.
Como funciona a legislação sobre concursos em ano eleitoral?
Durante anos eleitorais, há regras específicas previstas na legislação brasileira sobre provimentos e nomeações em concursos públicos. Isso acontece para evitar o uso político da máquina pública como ferramenta de captação de votos.
O que a lei permite?
A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) não proíbe a realização de concursos públicos em ano eleitoral. O próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já se manifestou sobre o tema, afirmando que a realização de concurso público não é proibida. Isso significa que todas as etapas do concurso podem acontecer normalmente a qualquer momento do ano:
- Autorização de novos concursos
- Publicação de editais
- Abertura de inscrições
- Aplicação de provas
- Divulgação de resultados.
Onde está a restrição?
A restrição está na nomeação dos aprovados, não na realização do concurso em si. O artigo 73, inciso V, da Lei nº 9.504/1997 proíbe a nomeação, contratação ou admissão de servidores públicos nos três meses que antecedem o pleito até a posse dos eleitos. Para as eleições de 2026, com primeiro turno previsto para 4 de outubro, o período de vedação funciona assim:
| Marco | Data |
| Início da vedação | 4 de julho de 2026 |
| Primeiro turno | 4 de outubro de 2026 |
| Término da vedação | Posse dos eleitos (janeiro de 2027) |
Quando a nomeação é permitida mesmo no período eleitoral?
A própria Lei das Eleições prevê exceções. As nomeações podem ocorrer normalmente, inclusive durante o período de vedação, nos seguintes casos:
- Concursos homologados antes do início da vedação: se o resultado final for homologado até 4 de julho de 2026, os aprovados podem ser nomeados a qualquer momento, inclusive no segundo semestre.
- Cargos do Poder Judiciário: Tribunais de Justiça, TRFs (Tribunais Regionais Federais), TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) e demais.
- Cargos do Ministério Público: MPU (Ministério Público da União) e MPEs (Ministérios Públicos Estaduais).
- Tribunais e Conselhos de Contas: TCU (Tribunal de Contas da União) e TCEs (Tribunais de Contas Estaduais).
- Órgãos da Presidência da República.
- Contratações essenciais e inadiáveis para serviços públicos como saúde e segurança.
E os concursos municipais?
Como as eleições de 2026 são de nível federal e estadual, os concursos municipais não são afetados pela restrição. Prefeituras e câmaras municipais podem realizar concursos e nomear aprovados normalmente durante todo o ano, sem qualquer limitação.
A homologação é a chave
Para concursos do Poder Executivo e Legislativo, a data de homologação do resultado final é o que define se a nomeação pode ou não acontecer no período eleitoral. Se a homologação ocorrer antes de 4 de julho de 2026, a nomeação está liberada a qualquer momento.
Se ocorrer depois, a nomeação só poderá acontecer após a posse dos eleitos, em janeiro de 2027. Por isso, muitos órgãos públicos antecipam os cronogramas no primeiro semestre de anos eleitorais para garantir que a homologação saia antes do prazo crítico.
Existe proposta para mudar essa regra?
Sim. O PL (Projeto de Lei) nº 4.569/2024, que tramita na Câmara dos Deputados, propõe proibir qualquer ato administrativo relativo a concurso público em ano eleitoral, inclusive editais e provas. No entanto, até o momento, o projeto não foi aprovado e não altera as regras vigentes para 2026.

O que muda na prática para o concurseiro?
Na prática, o ano eleitoral não é motivo para parar de estudar. Os concursos continuam acontecendo e as nomeações são possíveis na maior parte do ano. O que pode mudar é o calendário de posse para quem for aprovado em concursos homologados após julho.
Além disso, vários concursos já confirmados para 2026 seguem com cronogramas normais, incluindo CNU (Concurso Nacional Unificado), Petrobras, Polícia Federal e diversos editais estaduais e municipais.
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